
Na entrevista que deu ao jornal Público, James Gray defendia que o que mais lhe interessa nos seus filmes será criar uma "autenticidade emocional". Em "Two Lovers", Gray cria uma história simples (sem deixar de ser interessante) e dá corpo a essa "autenticidade" através das performances magníficas que consegue reunir - Joaquim Phoenix em especial faz o melhor (e último?) papel da sua carreira. Mas o que mais me admira neste filme é a subtileza, o engenho, a maturidade de Gray por detrás da camera, com um trabalho de mise-en-scène espantoso que nos faz, de imediato, acreditar nas suas personagens e nesta história. Sabe trabalhar a imagem, o plano e o espaço, prova disso são os vários momentos que consegue cravar na nossa memória, bem à maneira dos nomes que parece citar (sem nunca cair na armadilha da cópia) desde Coppola a Hitchcock. Com uma filmografia tão curta (conta apenas com 4 obras da a sua assinatura), James Gray assume-se cada vez mais como um dos meus realizadores de referência no panorama actual do cinema.
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