09/09/2009

"The Yards" (James Gray, 2000)


Dando continuidade à minha (recente) paixão pelos últimos trabalhos de James Gray, resolvi ver o seu segundo filme "The Yards". Gray segue um pouco a linha que viria a explorar no seu filme seguinte "We Own the Night" (2007) num drama de crime, sempre a circundar as temáticas da família e da lealdade, que são já uma espécie de watermark do trabalho do realizador. Para além das performances fantásticas que consegue reunir (Gray é um realizador que sabe extrair o melhor que há nos actores com quem colabora), neste "The Yards" o que mais me impressionou foi o trabalho assombroso de fotografia, que por vezes chega quase a assumir uma linhagem expressionista (sem que isso se sobreponha à história ou às personagens). E se mais uma vez é impossível não pensarmos nos vultos do cinema que Gray, assumidamente, parece admirar, como Hitchcock, Lumet ou Scorcese, é igualmente difícil não o vermos como um dos poucos realizadores americanos da actualidade que consegue dar realmente um corpo e uma autenticidade às suas obras. Gosta claramente de importunar os seus espectadores - de os deixar desconfortáveis. Isso tudo ganha outra dimensão quando olhamos para as suas narrativas, que são muitas vezes apontadas pela crítica americana como "simplórias" ou "banais". Mas é esse um dos segredos por detrás da mestria de Gray. Tenho pena que um talento como estes seja tão desconhecido e subvalorizado.

EDIT: acabei de ler isto numa entrevista a James Gray, durante a promoção de "The Yards":

You want the illusion of simplicity (but) the hardest thing to do is a simple story unfolding with a kind of elegance. It's much easier to make a movie with kind of stylistic pyrotechnics because you can hide behind that if there's a gap in the story. But I wanted to make the film in sort of a John Ford simple style.

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